Pássaros

O mundo é confrontado com um confinamento doloroso, onde nos escondemos do invisível. Desejo comemorar outro invisível, que flutua no mundo rápido e agressivo. Ame. Escrevo cartas de amor em forma de gestos, onde o invisível vive, expressa sentimentos, fazendo do universo virtual um parceiro poderoso para acessar o sensível. Cenas de um homem, uma mulher, que carregam a solidão em seus corpos, vestígios de sonhos em busca da possibilidade de reencontro. Recolho imagens afetivas que refletem detalhes da obra da minha irmã, da artista plástica Beatriz Milhazes, da mata atlântica da minha cidade no Rio de Janeiro, gestos fotográficos. Juntos, eles tecem uma narrativa sutil que atravessa objetos desconhecidos, reflexos da minha voz. Uma experiência estética que transforma o espaço virtual em território universal onde a transcendência poética permite contemplar uma zona não verbal. O visível e o invisível invadem, preenchem, visitam a alma como um cometa de esperança na outra. A vida retorna. Gravado com telefones celulares pelos dançarinos em quarentena.

Coreografia, Concepção, Direção Artística: Marcia Milhazes
Produção: Marcia Milhazes Cia. de Dança
Intérpretes: Ana Amélia Vianna e Domenico Salvatore
Edição de vídeo: Domenico Salvatore
Imagens: Detalhes de telas de Beatriz Milhazes: “Havana” e “A Mosca”
Fotos: Ana Clara Miranda
Cinematografia: John CM
Colagem de trilha sonora: Marcia Milhazes
Música: Montana Cellist

 

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